A Heteronímia de Fernando Pessoa


Fernando Pessoa é um dos maiores poetas da Literatura Portuguesa e conquistou o mundo com a sua sensibilidade e excepcionalidade enquanto artista.  Como vocês já sabem, o português representa grandiosamente o fenômeno da heteronímia na literatura. Que tal conhecer um pouco mais sobre esse mestre na criação de heteronímos???

Fernando Pessoa foi um poeta, escritor, filósofo, crítico literário, tradutor, publicitário e astrólogo português. Filho de Joaquim Seabra Pessoa e de Maria Magdalena Pinheiro Nogueira, Pessoa nasceu no dia 13 de julho de 1888 em Lisboa. Pessoa foi um dos mais excepcionais poetas do século XX, destacando-se não apenas por sua vasta obra, como também por sua singularidade ao construir poetas inteiros em seus heterônimos. Entre seus diversos heterônimos destacam-se Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro. A maestria de Pessoa na literatura o tornou um dos mais intrigantes e enigmáticos poetas, contribuindo para a propagação da literatura portuguesa no mundo inteiro. As obras do poeta possuíam um caráter melancólico, sentimental e nostálgico, bem como transpareciam sua insatisfação com a realização mundana e os mistérios da existência. 

“Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me [...]”

Desde sua infância, o escritor tendia a criar ao seu redor um universo fictício, evidenciando sua facilidade em vestir-se de várias outras “personas” enquanto poeta. Assim, acabou por assumir diversas outras personalidades poéticas, fundamentando o fenômeno da heteronímia em suas produções literárias.  O primeiro heterônimo do escritor surgiu quando tinha apenas seis anos de idade, chamado Chevalier de Pas. Entre as dezenas de heterônimos que Pessoa acabou “descobrindo” em  si mesmo, destacam-se três: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos.

“Nascido” em 16 de abril de 1889 em Lisboa, Alberto Caeiro era magro, loiro e de olhos azuis. Viveu com uma velha tia, fez apenas o curso primário e levava uma vida simples no campo, tendo como fonte de inspiração a natureza.  Caeiro tornou-se um mestre para Fernando Pessoa e seus demais heterônimos.


“[...] Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo [...]”


Ricardo Reis “nasceu” em 19 de setembro de 1887 no Porto. Era médico, de estatura mediana, olhos e cabelos escuros. Viveu no Brasil desde 1919, expatriado voluntariamente por ser monárquico. Sua obra era fortemente influenciada pelos clássicos gregos e latinos. Sua poesia possuía muitas menções mitológicas e uma linguagem clássica, culta e objetiva.

“[...] Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses. [...]


Álvaro de Campos, apesar de também ser discípulo de Caeiro, era basicamente o extremo oposto de Reis. “Nascido” a 15 de outubro de 1890 em Tariva, Álvaro de Campos era magro, cerca de 1,75 de altura, seus cabelos eram lisos e escuros e usava monóculo. Formou-se engenheiro mecânico e naval. Álvaro de Campos era intenso e emocional, procurando sempre “sentir tudo de todas as maneiras”

“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo [...]”

A escrita peculiar e versátil de Fernando Pessoa, bem como suas diversas personalidades poéticas que transbordavam toda sua excepcionalidade conquistaram o universo literário e abriram as portas para uma geração com aspirações modernistas.

Esperamos que a maestria de Fernando Pessoa tenha encantado e inspirado vocês! 


Referências: GALHOZ, Maria Aliete. Fernando Pessoa – Obra Poética. Editora Nova Aguilar, 1999.
MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa. Editora Cultrix, 2008.
OLIVEIRA, Clenir Bellezi. Arte Literária. Editora Moderna,São Paulo, 1999.


                                                                                                                           Thalia Eluar e Luisa Paz.


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